21/05/2010

Talvez...



Talvez não ser é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio dia
com uma flor azul, sem que caminhes
mais tarde pela névoa e os ladrilhos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,

sem que sejas, enfim, sem que viesses
brusca, incitante, conhecer a minha vida
aragem de roseira, trigo do vento,

e desde então, sou porque tu és,
e desde então és, sou e somos...
E por amor serei... Serás... Seremos...

Pablo Neruda

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