09/06/2010

É tarde meu amor...


É tarde meu amor.
Estou longe de ti com o tempo, diluíste-te nas veias das marés, na saliva de meu corpo sofrido.
Agora, tuas máquinas trituraram-me, cospem-me, interrompem o sono.
Habito longe, no coração vivo das areias, no cuspo límpido dos corais…
A solidão tem dias mais cruéis.
Tentei ser teu, amar-te e amar o falso ouro… quis ser grande e morrer contigo,
enfeitar-me com as tuas luas brancas, pratear a voz em tuas águas de ser… cantar-te os gestos com ternura,
mas não…
Águas, águas inquinadas pulsando dentro do meu corpo, como um peixe ferido, louco
em mim a lama... e o visco inocente dos teus náufragos sem nome-de-rua, nem
estátua-de-jardim-público
aceito o desafio do teu desdém.
Na boca ficou-me um gosto a salmoura e destruição.
Apenas possuo o corpo magoado destas poucas palavras tristes que te cantam.

Al Berto

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