02/07/2010

Poentes de Inverno



Quando a brasa do sol, ao fim da tarde,
Mergulha atrás dos montes lentamente,
Tudo parece que se inflama e arde,
Febril, na rubra irradiação do poente.

Frouxos os nervos, o ânimo cobarde,
Como num sonho que esmorece, a gente
Fica-se a olhar o Sol, ao fim da tarde
Té que a tristeza em lágrimas rebente.

Tristezas, lágrimas! Meu Deus, quem há-de,
Quando ao longe se pôs, da mocidade,
O Sol que nos doirava a alma e o rosto,

Olhar sem mágoa os trágicos poentes...
Porque choras, velhice? - É porque sentes
Que não volta a nascer o teu sol-posto!

Conde de Monsaraz

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