17/10/2010

A noite é uma ausência nua...


A noite é uma ausência nua
tão pura, tão profunda, tão solene,
que só o lembrar-me das coisas
é um acto de violência.
A cada esquina do escuro
espantalhos de silêncio,
com longos braços de mãos frias,
e urros suspeitados de susto gutural, aguardam.
E pelas guaritas do céu,
as estrelas fiscalizam a submissão universal
com o olho gigante dos polícias.
Em torno das casas
negros morcegos rondam
batendo asas de pano,
só sendo também ausência me poderei aguentar.
Vou dormir.

Vergílio Ferreira

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