12/11/2010

A morte...






Havia já anos que a tinhas expulsado,

fechado na cave, procurado esquecer.

Sabias que não estava na música, por isso cantavas;

sabias que não estava no silêncio, por isso te calavas;

sabias que não estava na solidão, por isso estavas só.

Que sucedeu então hoje

Para que te assustasses, como alguém

Que de repente visse, na noite,

Um raio de luz sob a porta do quarto ao lado,

Onde há tanto tempo já ninguém habita?


Eugénio de Andrade

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