18/01/2011

ARY dos SANTOS (18 Janeiro de 1984)

    " Não parava. Nunca parou. Não há memória de o Ary vez alguma ter parado. A não ser agora: por motivos de força maior. "

19 de Janeiro de 1984
Baptista Bastos

SONATA DE OUTONO (escrito dois dias antes da sua morte)

Inverno não é índa mas Outono
Na sonata que bate no meu peito
Poeta distraído, cão sem dono
Até na própria cama em que me deito

Inverno não é índa mas Outono
Na sonata que bate no meu peito
Acordar é a forma de ter sono
No presente e no pretérito imperfeito

Mesmo eu de mim próprio me abandono
Se o rigor que me devo não respeito
Acordar é a forma de ter sono
No presente e no pretérito imperfeito

Morro de pé
Mas morro devagar
A vida é afinal o meu lugar
E só acaba quando eu quiser

Não me deixo ficar
Não pode ser
Peço meças ao Sol, ao céu, ao mar
Pois viver é também acontecer

A vida é afinal o meu lugar
E só acaba quando eu quiser

José Carlos Ary Dos Santos

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