10/02/2011

De tarde...

De tarde viera alguém com flores – lírios,
jacintos, narcisos, despedidas – e a porta ficara
aberta desde então. Agora as traças ciciavam

lá fora numa alegria turva em redor de uma
lâmpada; e, sobre o banco do alpendre, jazia um
livro aberto na mesma página fazia quase um dia.

Batia-me nos pulsos uma vida vencida; e, mesmo
que a terra apenas aguardasse o fulgor da manhã
para chamar pelo teu corpo, tive a certeza de que
era sobre o meu que a noite eternamente se abatia.

Maria do Rosário Pedreira

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