09/02/2011

Há pouco...



Há pouco quis ir lá acima para ver como estavas; se ainda tinhas dores, ou febre – ou medo (porque já estava a escurecer); se querias que te lesse o que vem no jornal sobre as feridas do mundo (mesmo sabendo que esse mundo já não vai ser o teu) ou que te levasse para junto da janela, onde ao cair da noite o vento deixa as dunas desgrenhadas e as aves são como lenços rasgados sobre o mar. A meio da escada, o olhar órfão
da cadela e as flores secas no vaso lembraram-me que era tarde de mais para tudo isso: nesta casa, a partir de agora, os degraus só se podem descer.



Maria do Rosário Pedreira

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