09/04/2011

A saudade nunca morre


Apareces assim de repente, sem aviso. Por vezes é o teu perfume, alfazema e tabaco, que vem de sítio nenhum. Outras, poderia jurar que sinto o teu respirar no meu ombro, uma sombra que não está lá mas que eu vejo, sei lá, sinto-te por todo o lado, sem descanso, ainda hoje. (…)

(…) Seguramente que tal acontece por pensar em ti com tanta frequência. Por sentir a tua falta dia após dia. Sem descanso.
O que pensarias do que faço? De quem sou?
A saudade não morre, e não se transforma em nada.
É tão-somente saudade do que não te disse, do que não me chegaste a dizer. De tudo o que deveríamos ter vivido, de todas as conversas adiadas porque nunca havia tempo, e depois, partes. (…)
(…)e deixaste-me para aqui neste desassossego de alma, nesta culpa tão profunda do que não fiz e das palavras que não disse. (…)
(…)Se fosse hoje, se eu pudesse voltar atrás por breves minutos, cobriria o teu rosto de afagos e beijos molhados, e dir-te-ia vezes sem conta: Amo-te.
(…)

Luísa Castel - Branco

Sem comentários:

Enviar um comentário