09/08/2011

O fio da vida que não corre...



Se hoje aqui chegasses , o que dirias?

Se me encontrasses na rua, saberias quem eu sou? Quem eu fui para ti?

Procuro-te em todas as montras das lojas da cidade, esperando que no jogo de sombras, o teu sorriso triste apareça de surpresa uma vez mais.

Daria tudo o que tive para te ver outra vez. Para te tocar, e cheirar, e ganhar a coragem necessária para te beijar apaixonadamente, sem vergonhas ou embaraços, sem medo da tua secura de gestos, da tua repulsa por todas as manifestações prosaicas do amor.

Quando caminho por Lisboa, tento olhar com os teus olhos, tento imaginar o que sentiste quando por ali passaste.

Tento em vão saber quem eras e tu partiste e eu fiquei sem metade de mim, a metade que era tua.

Hoje, passados tantos anos, continua amputada.

Desconheci-te em vida e não te sei agora que já aqui não estás, mas vives dentro de mim, os dias todos, todos os dias.

Será que é destino, fado, karma  ou apenas a minha incapacidade de vos fazer aceitar como sou, apenas isto?

A história repete-se e brevemente outra parte de mim partirá.

E quando os Deuses assim o decidirem, eu para aqui ficarei, zangada, humilhada e perdida.

E só. Sempre só


Luísa Castel-Branco 

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