27/09/2011

O amor antigo

 



O amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.

Nada exige nem pede. Nada espera,

mas do destino vão nega a sentença.


O amor antigo tem raízes fundas,

feitas de sofrimento e de beleza.

por aquelas mergulha no infinito,

e por estas suplanta a natureza.


Se em toda parte o tempo desmorona

aquilo que foi grande e deslumbrante,

o amor antigo, porém, nunca fenece

e a cada dia surge mais amante.


Mais ardente, mas pobre de esperança.

Mais triste? Não. Ele venceu a dor,

e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor.


Carlos Drummond de Andrade

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