21/10/2012

Não o Sonho

Talvez sejas a breve
recordação de um sonho
de que alguém (talvez tu) acordou
(não o sonho, mas a recordação dele),
um sonho parado de que restam
apenas imagens desfeitas, pressentimentos.
Também eu não me lembro,
também eu estou preso nos meus sentidos
sem poder sair. Se pudesses ouvir,
aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,
animais acossados e perdidos
tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,
desamarraram-me de mim e agora
só me lembro pelo lado de fora.

Manuel António Pina, in "Atropelamento e Fuga"

2 comentários:

  1. Gostei muito deste poema e da imagem.Se
    permitisse que colocasse no meu http://sinfoniaesol.wordpress.com
    com os devidos créditos, dizendo a que
    blogo pertence, teria muito gosto.
    Basta me deixar um comentário a dizer
    se o permite.
    Desejo que esteja bem.
    Beijinhos
    Irene Alves

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    Respostas
    1. Desculpe-me a demora na resposta...
      Sempre que o entenda, pode partilhar o que encontrar neste Blog. Terei muito gosto nisso. Também desejo que esteja bem e que me visite mais vezes.
      Beijos
      Maria Adelaide Brito Gomes (Brisa do Sul)

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