01/12/2012

Estás sempre aqui...





Estás sempre aqui
na beira do meu corpo
na ponta dos meus dedos
quando te desejo
quando de descrevo
quando te vislumbro
mesmo sem te ver
e quando te desejo

mesmo sem te ter

E por cada poema que começo
e não sei terminar
puxo-te para a beira da minha cama
bem para o meio
do meu devaneio
e num frémito que não domino
volteio a palavra por decifrar
o verso que não rima
remoo nos dedos o gosto da tua pele
que a minha desatina
que me ficou quando pela tua boca passou...

...e com passo desajeitado
deixo o verso calado
sublevar-se
ausentar-se
dessa forma imaculada
e vir manchar minha pele alva e pura
tremendemente louca
de uma secura
urgente e desajeitada
e num repente
num bater de asa
muito antes que o galo cante alvorada

sais do meu poema
libertas-te do peso do meu verso
e cais na minha pele
absorto e liberto
tremendemente incerto
alma nua e ausente
mas amorosamente delicado
e delicadamente amoroso
como toda a paixão
que se serve quente...
 
São Reis

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