23/09/2013

Sabedoria


 Desde que tudo me cansa,
 Comecei eu a viver.
 Comecei a viver sem esperança...
 E venha a morte quando
 Deus quiser.

 Dantes, ou muito ou pouco,
 Sempre esperara:
 Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
 Voava das estrelas à mais rara;
 Outras, tão pouco,
 Que ninguém mais com tal se conformara.

 Hoje, é que nada espero.
 Para quê, esperar?
 Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
 Se quero, é só enquanto apenas quero;
 Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
 E venha a morte quando Deus quiser.

 Mas, com isto, que têm as estrelas?
 Continuam brilhando, altas e belas.

 José Régio

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