"Eu nunca fiz senão sonhar. Tem sido esse e esse
apenas, o sentido da minha vida. Nunca tive outra preocupação verdadeira senão
a minha vida interior. As maiores dores da minha vida esbatem-se-me quando,
abrindo a janela para a rua do meu sonho, esqueço a vista no seu movimento.
Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de
viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao
que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre
poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem
podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a
sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo.
Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o
longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumavam quase na distância das
minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras
partes da paisagem — uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar.
A minha mania de criar um mundo falso acompanha-me ainda e
só na minha morte me abandonará.(…)"
Bernardo Soares/Fernando Pessoa


Viver assim deixa a vida mais leve =)
ResponderEliminarOxalá...
ResponderEliminarBeijos, Bell !