07/11/2014

O que há em mim é sobretudo cansaço





O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente .
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

4 comentários:

  1. De ir apanhar sargaço!
    levanta-te está na hora
    neste lindo dia de sábado
    manda o cansaço embora.

    Bom fim de semana, um abraço.
    Eduardo.

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  2. Pessoa no ciclo das marés

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  3. Lindo demais...



    Beijos
    Ani

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  4. Cansaço porque ele existe, linda poesia do Álvaro de campos, Brisa do Sul seguindo o seu blog também obrigada pela sua visita, te desejo um ótimo final de semana beijos.

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