30/10/2014

O tempo...



"O tempo, ainda que os relógios queiram convencer-nos do contrário, não é o mesmo para toda gente"


José Saramago

Aproveitemos...



" Aproveitemos a madrugada que é boa hora para se nascer.

Mia Couto

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“Mais triste que estar só, é ter alguém ao nosso lado a impedir que a solidão nos abandone, que alguém nos resgate.”

João Morgado

29/10/2014


Desespero





Não eram meus os olhos que te olharam
Nem este corpo exausto que despi
Nem os lábios sedentos que poisaram
No mais secreto do que existe em ti.

Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Mais que os vícios que um dia me geraram
E me perseguem desde que nasci.

Não fui eu que te quis. E não sou eu
Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,
Possesso desta raiva que me deu

A grande solidão que de ti espero.
A voz com que te chamo é o desencanto
E o esperma que te dou, o desespero.

Ary dos Santos




Para quê?!




O marido não falava: lia o jornal. Quando não lia o jornal olhava a parede em frente. Aos domingos, a seguir ao almoço, ia ao quarto pôr a gravata e ficava à espera, junto à porta, sem uma palavra, que ela mudasse de roupa, desse um jeito ao cabelo, e viesse ter com ele. Então desciam do segundo andar a pé, porque o elevador não era de confiança, e saíam para o cinema. O marido mostrava dois dedos à empregada que vendia os bilhetes, explicando-lhe que duas pessoas, e apontava o cartaz do filme mais perto. No intervalo permaneciam sentados, diante do écran vazio, sem conversarem, da mesma forma que não conversavam no regresso a casa. Em casa a mulher mudava de novo de roupa para fazer o jantar. Ao acabar estava escuro na sala, nenhum candeeiro aceso e, no meio do escuro, o marido sentado no sofá em silêncio, com a mesa já posta, o que surpreendia a mulher dado que não se ouvia nenhum ruído de loiça. A mulher ligava as três lâmpadas do tecto e trazia a sopa. Depois da sopa o borrego. Depois do borrego o arroz doce. Depois do arroz doce o digestivo. Depois do digestivo arrumava tudo na máquina e instalava-se no sofá também, com o crochet. Se uma ambulância aos gritos na rua o prédio estremecia. Se nenhuma ambulância na rua as vozes do andar de cima e de vez em quando uma criança a chorar, de vez em quando uma discussão até que uma voz de homem
- Acabou-se a conversa
e com o
- Acabou-se a conversa
paz de novo. Em certas alturas a mulher quase desejava que o marido
- Acabou-se a conversa
também, mas era difícil acabar uma conversa que não tinha começado. Passada meia hora ou assim o marido ia deitar-se, e a mulher ficava a ouvir a escova de dentes eléctrica, conforme ouvia o estalo das tábuas da cama protestando contra o peso do marido. Era uma cama antiga, de bilros, a mesma da época em que casaram, trinta e seis anos antes. Toda a mobília, aliás, existia desde há trinta e seis anos antes, oferecida pelos pais dele, que não seriam ricos mas tinham algumas posses. Mais recente, que a mulher se lembrasse, só o tapete da sala que de resto principiava a gastar-se, sobretudo nos sítios onde os pés da mesa de apoio se afundavam nele, e nos quais já se percebia a trama. Por vontade sua a mulher mudaria o tapete, chegou a sugerir
- Era capaz de ser melhor mudarmos o tapete
porém, como não houve resposta, não teimou. Pensou em mudar o tapete sem o informar, visitou várias lojas estudando preços, perguntou-se
- Para quê?
e desistiu. Para quê, de facto? E demais a mais a gente vai-se habituando aos objectos e acaba por ter saudades deles quando desaparecem. Teria saudades do marido se ele desaparecesse? Julgou que sim, julgou que não, julgou que sim, cessou de julgar. Em trinta e seis anos o marido não desaparecera nunca e, portanto, seria pouco natural que desaparecesse agora, perto dos setenta. Para mais afigurava-se-lhe que de há semanas para cá ele começara a arrastar um pouco umas das pernas e de perna arrastada ninguém vai muito longe. Para onde iria ele, de resto? Não possuía amigos, não frequentava cafés, não recebiam nem visitavam fosse quem fosse, nunca reparara num soslaio interessado para senhora nenhuma: lia o jornal, olhava a parede e acabou-se. Há quantos lustros não lhe tocava? Ao calcular há quantos lustros não lhe tocava chegou-lhe do andar de cima um
- Acabou-se a conversa
que a sobressaltou o bastante para deixar os cálculos de lado. Há assuntos em que é melhor deixar as questões como estão, e a mulher era uma criatura prudente. Aos sessenta e cinco anos vai-se ganhando bom senso, para quê arranjar maçadas agora? De modo que acabou por ir para a cama também, guiando-se pela claridade dos intervalos dos estores. Ao deitar-se nenhuma tábua estalou, o marido dormia numa respiração lenta, quando se preparava para se voltar para um dos lados percebeu-lhe um murmúrio
- Sissi
e ficou a repetir para dentro
- Sissi, Sissi
por acaso o nome da empregada que vinha uma tarde por semana ajudar nas limpezas, uma criatura baixa e gorda, viúva, com o filho preso por uma questão de drogas ou um problema no género. A criatura baixa e gorda não era de grandes expansões e o marido, estava certa disso, nem atentava nela. Nem atentava nela? Se nem atentava nela porque carga de água o
- Sissi
num soprozinho que classificou de enternecido? Decidiu sacudir-lhe o ombro
- Que história é essa da Sissi?
meditou com mais calma, não se atreveu, porém o facto é que não conseguia livrar-se daquele nome. Foi à cozinha beber água para acalmar os nervos, descalça, sujeitando-se a uma constipação ou uma gripe, o azulejos gelados, ela sensível do nariz, o médico, na última consulta
- Atenção aos pulmões que já não vai para nova
e a hipótese de uma pneumonia aterrou-a. Na bancada estavam algumas facturas por pagar e no meio das facturas uma página solta do bloco onde assentava as coisas a comprar no centro comercial, em que encontrou escrito
- Até para a semana meu ursinho rechonchudo, Sissi
e ficou séculos a reler aquilo, aparvalhada, Meu ursinho rechonchudo, Sissi, meu ursinho rechonchudo, Sissi, até que principiou a sentir-se cansada, estrangulou um bocejo e decidiu voltar para a cama. Ao fim de trinta e seis anos não era fácil substituir o marido mas podia muito bem substituir o tapete da sala. E, com um tapete novo na ideia, adormeceu quase contente.


António Lobo Antunes

28/10/2014

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 “O que custa mais não é tanto lembrar — é não esquecer.
O que é que se faz com o que nos fica na cabeça,
quando já não há nada para fazer?”


Miguel Esteves Cardoso

27/10/2014

Lua adversa




  
Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


Cecília Meireles

Eu amo tudo que foi...


Eu amo tudo o que foi
 Tudo o que já não é
 A dor que já não me dói
 A antiga e errônea fé
 O ontem que a dor deixou
 O que deixou alegria
 Só porque foi, e voou
 E hoje é já outro dia.


 Fernando Pessoa

26/10/2014

Talvez....



Talvez...
Talvez digas um dia o que queres,
Talvez não queiras afinal dizê-lo,
Talvez passes a mão no meu cabelo,
Talvez eu pense em ti talvez me esperes.

Talvez, sendo isto assim, fosse melhor
Falhar-se o nosso encontro por um triz
Talvez não me apagasses como eu quis,
Talvez não nos soubéssemos de cor.

Mas não sei bem, respostas não mas dês.
Vivo só de murmúrios repetidos,
De enganos de alma e fome dos sentidos,
Talvez seja cruel, talvez, talvez.

Se nada dás, porém nada te dou
Neste vaivém que sempre nos sustenta,
E se a própria saudade nos inventa,
Não sei talvez quem és mas sei quem sou.

Vasco Graça Moura

Que só o orgasmo me rasgue...




Que só o orgasmo me rasgue a pele, que só o prazer me faça devoto fiel.
E que nada se passe para aquém de mim, e que eu seja o insano que vive sem fim.
E que todos os homens se abracem sem medo, e que beijar e amar jamais sejam segredo.
Que haja grito, gemido e esgar – e que eu nunca me canse de viver e gozar.
Que haja “vem”, “ama” e “sente” – e que todas as pessoas sejam pessoas e gente.


Pedro Chagas Freitas

25/10/2014

A viagem não acaba nunca...



"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

José Saramago 

Estou cansado...




Estou cansado da inteligência.
Pensar faz mal às emoções.
Uma grande reacção aparece.
Chora-se e de repente, todas as tias mortas fazem chá de novo
Na casa antiga da quinta velha.
Pára, meu coração!
Sossega, minha esperança factícia!
Quem me dera nunca ter sido senão o menino que fui...
Meu sono bom porque tinha simplesmente sono e não ideias que esquecer!
Meu horizonte de quintal e praia!
Meu fim antes do princípio!
Estou cansado da inteligência.
Se ao menos com ela se percebesse qualquer coisa!
Mas só percebo um cansaço no fundo, como baixam internas
Aquelas coisas que o vinho tem e amodorram o vinho.

Álvaro de Campos



Se existisse céu...




Se existisse céu seria na nossa cama.
Escrevo-te com o teu corpo, adormecido, ao lado. Ouço a tua respiração e sei que respiro, sei que respirar é apenas o momento em que te ouço respirar. Respiras. E eu estou vivo.
Na nossa cama nenhuma vida entra. Somos nós, egoisticamente nós. Só nós. Apenas nós. Na nossa cama nem Deus consegue entrar.
Somos tão grandes que religião alguma nos poderia definir.
E os nossos lençóis. Se fossem gente só saberiam sorrir. Amar-te é ter os lençóis mais felizes do mundo.
Todos os lençóis mereciam uma vida assim.
Dormes enquanto te escrevo. Olho-te (o teu rosto como se me dissesse que a vida é isto: o teu rosto deitado enquanto te escrevo) e sei que te espero. Espero que venhas, que acordes para o abraço. Espero que chegues do sonho e que acordes no sonho. E nada me chega. Nada me completa. Quero de ti tudo o que és. No mínimo tudo. No mínimo quero tudo de ti.
A eternidade. Eis o que basta para te poder amar com algum tempo.
Ontem adormecemos no sofá. Adormecemos sempre no sofá. E no espaço em que nem um cabia coubemos os dois. Cabemos sempre os dois.
Cabemos sempre os dois. Eis o que o mundo todo deveria aprender.
Somos tão grandes que cabemos sempre os dois.
E para onde um vai o outro está. E para onde um sonha o outro faz. Somos companheiros de todos os instantes, confidentes de todos os segredos. Antes de ti acreditava que chegarias. E chegaste.
Vieste com a naturalidade de quem me pertence. E eu pertenci-te. Pertencemo-nos no momento em que percebemos que já não havia depois, que já não havia antes. Nada te precedeu, nada te sobreviverá.
E todas as palavras ficarão por dizer.
Mas nenhum abraço ficará por apertar.
Acorda. Por favor acorda. Tenho de te dar mais um.


 Pedro chagas de freitas

24/10/2014

Quando vier a Primavera....




Quando vier a Primavera
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.


Alberto Caeiro

23/10/2014

quero escrever-te um poema




"Quero escrever-te um poema que tenha um sentido claro como o que os teus olhos me disseram. Poderia ser um poema de amor, tão breve como o instante em que me deixaste ver os teus olhos. Mas o que os olhos dizem não cabe num poema, nem eu sei como se diz o amor que só os olhos conhecem."


Nuno Júdice

22/10/2014

Palavra de honra (?)



Palavra de honra que não estava nada à espera. Primeiro porque aos cinquenta e dois anos não se espera grande coisa, a não ser o médico a informar que um dos rins não está bem, e segundo porque em tantos meses a almoçarmos no mesmo restaurante, cada qual na sua mesa, eu com uma revista e ele com o jornal, nunca dei por qualquer soslaio, qualquer atenção, qualquer interesse da sua parte. Às vezes subia das páginas por causa de uma rapariga, que podia ser minha filha, a comer uma sopa ao balcão, passava-lhe uma luz nos óculos, a luz apagava-se, enfiava o queixo nas notícias, se calhar a aceitar, conformado
- Podia ser minha filha
pedia a conta antes de mim numa lentidão vencida, não deixava gorjeta que os tempos não estão para generosidades, ia-se embora um pouco gordo, um pouco marreco, de cabeça talvez um bocadinho grande demais para o corpo, via-o lá fora a acender um cigarro, a ingressar na bicha do multibanco, a meter um papelinho na carteira, a sumir-se por fim, lento, pausado, cuidadoso com os semáforos, e perdia-o até ao dia seguinte, em que uma alheira e o diário, ou uma corvina e o diário, ou meia de lulas e o diário, ou um clarãozinho nas dioptrias a propósito de uma sopa e uma rapariga que podia ser nossa filha. Portanto palavra de honra que não estava nada à espera quando hoje entrou no restaurante depois de mim, um pouco gordo, um pouco marreco, de cabeça talvez um bocadinho grande demais para o corpo e, apesar de haver duas ou três mesas sem ninguém, aproximou-se da minha e perguntou-me, numa voz que não ligava com a boca, se me importava que se sentasse à minha frente. De início nem percebi bem. Consegui um
- Perdão?
atrapalhado, a impedir, no último momento, o copo de água de se entornar porque um dos meus cotovelos, ou uma das minhas mãos, ou a minha revista o tombavam, ele insistiu, na tal voz que não ligava com a boca e eu imaginava cheia, redonda, suave, em lugar de mole, aguda, raspante
(mas isso são pormenores, o que interessa é a personalidade e o carácter)
- Não se importa que me instale aqui?
de maneira que eu
- Ora essa
a puxar o rectângulo de papel do prato, dos talheres, do guardanapo, de maneira a abrir espaço para o rectângulo dele, repetindo sem dar fé
- Ora essa, ora essa
de súbito consciente que mal penteada, mal pintada, mal vestida, sapatos rasos, meias cor de carne, pior que meias, collants, soutien cor de carne igualmente, um anelzeco de pacotilha, um colar sem relação com a blusa, brincos minúsculos, a pulseira idiota que uma sobrinha me impingiu, dois terços de baton já no guardanapo, os dentes, a necessitarem de ser limpos, teimando
- Ora essa, ora essa
enquanto ele estudava a ementa, longíssimo de mim embora ali...
(...)

António Lobo Antunes

Crepúsculo



(...)
E quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.

David Mourão- Ferreira

Coração polar



(…)
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.


Manuel Alegre

21/10/2014

?



Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio


Sophia de Mello Breyner Andresen

A certa altura da vida




"A certa altura da vida começamos a aprender a esperar o tempo. A certa altura da vida o que nos mata não são as horas. O que nos mata são as palavras e a ausência de palavras."


Baptista Bastos

Rodrigo Leão "Vida Tão Estranha" por Camané, concerto O Espírito de um ...

20/10/2014

As mulheres caladas...



“As mulheres caladas são perigosas. Comem as palavras e transformam-nas em veneno
 (…) Devemos calar uma mulher com um beijo, mas nunca se deve beijar uma mulher calada. É perigoso, muito perigoso…”


João Morgado

19/10/2014

Explicação da Eternidade



devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto


Porque é que este sonho absurdo


Porque é que este sonho absurdo
a que chamam realidade
não me obedece como os outros
que trago na cabeça?
Eis a grande raiva!

Misturem-na com rosas
Porque é que este sonho absurdo
e chamem-lhe vida.


José Gomes Ferreira