07/03/2015

A tua boca...


A tua boca declara guerra,
De língua desembainhada, sentencia a morte de todos os beijos,
Irreversíveis os que perdemos, eternos os que prometemos, mortos os que lastimamos.

A paixão persegue-me sem quartel,
E nada mais me resta que viver estropiado,
Quando nada mais se move no tempo que empresto, no amor que hipoteco,
Perdido o sustento ou o ofício de amar.

Que faço amanhã,
Se a renda que há meses não pago deixa o coração livre para
novos inquilinos,
Desconhecidos, outros que não nós?

Estou despido, fugindo do relento, procurando lugares escondidos dentro de nós.

Lambo as marcas da carne ferida. Não aprendi a evitar a tua pele de arame farpado.
Mas outra coisa não sei, cativo me declaro e rendo,
Revelo-te os segredos, o sexo na minha roupa.

Beija-me ou mata-me. Sem remédio, sem desculpas, esta noite extingo-me na tua cama.


Daniel Costa-Lourenço

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