Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.
No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.
Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.
António Gedeão


Lindo texto,com uma foto brilhante!
ResponderEliminarBeijo !!!
Bom dia, Adelaide
ResponderEliminarVi o teu ícon no meu painel de seguidores e, como sempre que aparece "uma cara nova"... vim corresponder (fazendo-me teu seguidor) e espreitei o conteúdo do blog.
Gostei! Tems aqui "coisas" muito bonitas e interessantes.
Sou fã de António Gedeão, por isso gostei demais deste último post.
Aparece lá no «DEUSA» e deixa umas palavrinhas... vou ficar feliz de te ver lá.
Óptimo Domingo
Um beijo
MIGUEL / ÉS A MINHA DEUSA
Qué bellas palabras. Te felicito por el blog. Un abrazo, Clara.
ResponderEliminar"Conscientemente escrevo e, consciente,
ResponderEliminarmedito o meu destino."
Amei todo o poema e gosto muito de António Gedeão. Muito obrigada Adelaide, por se ter tornado seguidora do meu blog.
Beijinho e muitos sorrisos
Alice