04/03/2015

Praia do Paraíso




Era a primeira vez que nus os nossos corpos
Apesar da penumbra à vontade se olhavam

Surpresos de saber que tinham tantos olhos
Que podiam ser luz de tantos candelabros

Era a primeira vez cerrados os estores
Só o rumor do mar permanecera em casa

E sabias a sal, e cheiravas a limos
Que tivesses ouvido o canto das cigarras

Havia mais que céu no céu do teu sorriso
Madrugada de tudo em tudo que sonhavas

Em teus braços tocar era tocar os ramos
Que estremecem ao sol desde que o mundo é mundo

É preciso afinal chegar aos cinquenta anos

Para se ver que aos vinte é que se teve tudo.

David Mourão Ferreira

3 comentários:

  1. Belíssima escolha poética.
    Maria Adelaide, tem um bom resto de semana.
    Beijo.

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  2. Magnifica, Maria. En BN queda muy sensual.
    Un fuerte abrazo.

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  3. So lovely post !
    Greetings

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