"Quando estiveres cansado de olhar uma flor, uma
criança, uma pedra, quando estiveres cansado ou distraído de ouvir um pássaro a
explicar o ser, quando te não intrigar o existirem coisas e numa noite de céu
limpo nenhuma estrela te dirigir a palavra, quando estiveres farto de saberes
que existes e não souberes que existes, quando não reparares que nunca
reparaste no azul do mar, quando estiveres farto de querer saber o que nunca saberás,
se nunca o amanhecer amanheceu em ti ou já não, se nunca amaste a luz e só o
que ela ilumina, se nunca nasceste por ti e não apenas pelos que te fizeram
nascer, se nunca soubeste que existias mas apenas o que exististe com esse
existir, quando, se -, porque temes então a morte, se já estás morto?"
Virgílio Ferreira


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