23/04/2015

A noite...


A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a benção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!
Saudade que eu sei donde me vem...

Talvez de ti, ó Noite!...
Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou,
nem o que tenho!!


Florbela Espanca

7 comentários:

  1. A minha preferida de todos os tempos, a Florbela., Não há nenhum que eu não goste.

    ResponderEliminar
  2. Olá, Adelaide! linda partilha de um dos belos poemas que encanta da poetiza Florbela Espanca.
    Parabéns pela linda apresentação do seu blog.
    AG

    ResponderEliminar
  3. Obrigada, Amigo, pela visita e pelo comentário. Abraço

    ResponderEliminar
  4. Florbela Espanca sempre teve uma escrita triste, mas gosto muito.
    Parabéns pelo seu cantinho.

    Um beijinho e bom fim-de-semana.

    http://agatadesaltosaltos.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  5. Bellissima poesia!!!
    Antonella

    ResponderEliminar