07/04/2015

Durante o sono...


Durante o sono retiraram-me uma costela
Ficou-me no peito um vazio que não consigo preencher
Custa-me a respirar
Eu quero de volta a minha costela
quero de volta todas as costelas
Quero de volta o paraíso
quero de volta o silêncio rumorejante
quero de volta as poluições noturnas
e diurnas
Quero uma mulher
feita de chuva
e vento
e fogo
e neve
e luz
e breu
e não de argila
como eu.


Jorge de Sousa Braga

6 comentários:

  1. Não conheço,o trabalho deste poeta.É o primeiro poema dele que leio,e gostei muito. Parabéns pela selecção musical.

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  2. Muito linda essa poesia, nas entrelinhas a cobrança por uma pazp erdida... Gostei

    Fraterno abraço
    Nicinha

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  3. Estou grata pela visita. Um abraço tb fraterno.

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  4. Olá, a poesia que não conhecia é linda, mais linda fica acompanhada pela bela foto que dá bons arrepios.
    AG

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  5. Que lindo!
    Acho que durante a vida nos tiram tantas costelas enquanto dormimos, que chegamos lá no final praticamente sem elas.

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  6. Por vezes o sonho e a realidade, encontram-se entrelaçados. Espero que esse desejo imperativo seja realizável.
    J

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