28/06/2015

Escrevo-te a sentir tudo isto...



Escrevo-te a sentir tudo isto
E num instante de maior lucidez poderia ser o rio
As cabras escondendo
O delicado tilintar dos guizos
Nos sais de prata da fotografia
Poderia erguer-me como o castanheiro
Dos contos sussurrados junto ao fogo
E deambular trémulo com as aves
Ou acompanhar a sulfúrica borboleta
Revelando-se na saliva dos lábios
Poderia imitar aquele pastor
Ou confundir-me com o sonho de cidade
Que a pouco e pouco
Morde a sua imobilidade

Habito neste país de água por engano
São-me necessárias imagens radiografias de ossos
Rostos desfocados
Mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
Repara
Nada mais possuo
A não ser este recado que hoje segue manchado
De finos bagos de romã
Repara como o coração de papel amareleceu
No esquecimento de te amar

Al Berto



1 comentário:

  1. Marta, gostei do poema, o poeta é bom, boa semana, beijo

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