06/08/2015

Regresso ao lar...



Há quanto tempo não escrevo um soneto
Mas não importa: escrevo este agora.
Sonetos são infância e, nesta hora.
A minha infância é só um ponto preto

Que num imóbil e fútil trajecto
Do comboio que sou me deita fora
E o soneto é como alguém que mora
Há dois dias em tudo que projecto.

Graças a Deus, ainda sei que há
Quatorze linhas a cumprir iguais
Para a gente saber onde é que está...

Mas onde a gente está ou eu, não sei...
Não quero saber mais de nada mais
E berdamerda para o que saberei.

Álvaro Campos 

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