30/11/2015

Até amanhã...

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:

a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade

2 comentários:

  1. Uma escolha poética maravilhosa e a foto bem linda...bj

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  2. Grande poeta, bela poesia, boa semana amiga, beijo

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