cai
neve no cérebro vivo do imaculado - dizem
que
estess milagres só são possíveis com rosas e
enganos
- precisamente no segundo em que a insónia
transmuda
os metais diurnos em estrume do coração
dizem
também
que
um duende dança na erecção do enforcado - o fulgor
dos
sémenes venenosos alastra no brilho dos olhos e
um
sussurro de tinta preta aflora os lábios
fere
a mão de gelo que se aproxima da boca
o
vómito da luz ergue-se
das
palavras ditas em surdina
a
seguir vem o sono
e
o miraculado entra no voo dos cisnes
o
dia cansa-se
na
brutalidade com que a voz se atira contra as paredes
abrindo
fendas
em
toda a extensão das veias e dos tendões
quando
desperta com o crepúsculo
o
miraculado olha-nos fixamente e sorri
dá-nos
uma rosa em forma de estilete - fechamos os olhos
sabendo
que este é o maior engano
da
eternidade
Al-Berto


Adorei o novo look e ainda bem que a volto a encontrar!
ResponderEliminarMomento poético delicioso!
Muito obrigada, Maria da Graça!
ResponderEliminarBj