15/05/2016

Ode ao Tejo e à memória de Álvaro de Campos


(...)
O meu mal é não ser dos que trazem beleza metida na algibeira
e não precisam de olhar as coisas para as terem.
Quando não está diante dos meus olhos, está sempre longe.
Não te reduzi a uma ideia para trazer dentro da cabeça,
e quando estás ausente, estás mesmo ausente dentro de mim.
Não tenho nada, porque só amo o que é vivo,
mas a minha pobreza é um grande abraço em que tudo é sempre virgem,
porque quando o tenho, é concreto nos braços fechados sobre a posse.

Não tenho lugar para nenhum cemitério dentro de mim...
E por isso é que fiquei a pensar como era grave ter passado
sem te olhar, ó Tejo.
Mau sinal, mau sinal, Tejo
Má hora, Tejo, aquela em que passei sem olhar para onde estavas.
Preciso dum grande dia a sós comigo, Tejo,levado nos teus braços,
debruçado sobre a cor profunda das tuas águas,
embriagado do teu vento que varre como um hino de vitória
as doenças da cidade triste e dos homens acabrunhados...

Preciso dum grande dia a sós contigo, Tejo,
(...)

Adolfo Casais Monteiro

1 comentário:

  1. Gostei muito do poema, lindo o Tejo, bjs e boa semana

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