30/06/2016

Hás de morrer de não me ver...


Hás de morrer de não me ver.
Hás de morrer no meu olhar, quando
eu fechar os olhos cansados de reler meus versos,
em busca de outros versos diferentes,
igualmente diferentes,
ainda teus, tão teus, tão profundamente teus
que os amo
antes de os escrever,
antes até de pensar que me era possível
escrevê-los.
Hei de morrer de não te ver. Apunhalado
por um vazio perfeito, o mais
significativo vazio, representado
na grande antologia dos vazios.
Morreremos ambos de lonjura
e solidão, Ceguinhos um
do outro. Habituados
à luz escura desta
ideia.

Joaquim Pessoa

1 comentário:

  1. Belíssimo!
    Há umas semanas atrás esteve presente no programa da Conceição Lima, A Hora da Poesia, na Rádio Vizela.
    :)

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