Eu, dar
flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que
Maio chegou,
Revesti-o de
clâmides de cores!
Que eu, dar,
flor, já não dou.
Eu, cantar,
já não canto. Mas vós, aves,
Acordai
desse azul, calado há tanto,
As infinitas
naves!
Que eu,
cantar, já não canto.
Eu, invernos
e outonos recalcados
Regelaram
meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó
sol, jardins e prados!
Que eu, é de
mim o frio.
Eu, Maio, já
não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua
paixão,
Prostrar a
terra em cálido desmaio!
Que eu, ter
Maio, já não.
Que eu, dar
flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não
tenho; e amar…
Mas, se não
amo,
Como é que,
Maio em flor, te chamo tanto,
E não por
mim assim te chamo?
José Régio


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