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07/06/2016

Dorme, ruazinha...


Dorme ruazinha... É tudo escuro...
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro
Com teus lampiões, com teu jardins tranquilos...
Dorme... Não há ladrões, eu te asseguro...
Nem guardas para acaso persegui-los...
Na noite alta, como sobre o muro,
As estrelinhas cantam como grilos...
O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão...
Dorme ruazinha... Não há nada...
Só os meus passos... Mas tão leves são
Que até parecem pela madrugada,
Os da minha futura assombração...

Mario Quintana,

26/04/2015

Nada me pertence...



Nada me pertence, nada
se afoga nesta terra deserta de cansaço
Nada é culpa, nada é nascido, tudo cria
embriões para que embriões possam nascer
Eu sou nada e se acaso me afogo
é porque não existo, como os meus amigos
como a arte de imaginar

E a natureza prende-me, se amo é por vir
de um céu imenso onde forças estranhas
me inventaram, e aos meus amigos, e a todo o tanto
que não existe sobre a terra coberta de tudos.

Mesmo deus que não existe me forjou
para a natureza que não existe, a minha
de ser minúsculo e gigante
e não existir


Manuel Cintra