Um dia, quando a minha memória
de homem fugitivo
alcançar a idade de um deserto,
debruçar-me-ei num poço e
tentarei beber o tempo esquecido
do teu rosto. Estarei lucidamente
morto, eu sei, e os meus olhos
já não prenderão a adolescência,
nem as imagens que dela se
soltaram. E a minha cegueira surgirá
cercada por frondosas árvores e
pássaros, mas não os verei mais.
O rosto, o teu rosto, já não
conseguirá atrair-me para o fundo
circular do poço.
Al Berto

