Amar-te, só amar-te, e construir
amor e mais amor no amor já
feito,
amor quase infinito, amor
perfeito,
amor em flor, florindo o que há-de
vir.
E ao amar-te assim, quero sentir
que o meu amor por ti não está
no peito:
percorre toda a pele, a carne, o
leito,
regressa à boca a tempo de
sorrir.
Que amor é este amor, esta
vontade
de nunca te perder e de
escrever-te
sabendo que és a própria
liberdade?
E em cada dia que não posso
ver-te
não tenho vida, tempo, nem
idade,
não tenho nada que não seja
ter-te.
Joaquim Pessoa


