Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar.
Falemos dos brilhos estilhaçados
desta casa súbita que é o teu
corpo
devoluto. A noite devora as
palavras possíveis,
o sofrimento que pulsa em tua
boca
e torna a minha boca vulnerável.
O amor é um nada que a liberta,
uma luz
que desce dos ombros para o
ventre
e fecunda as sementes da tua
virgindade,
essa que faz agora parte de uma
dor quase
amigável, na lividez do tempo,
e que entregas em minhas mãos,
beijando-as,
tornando-te parte dos meus
versos, da
minha forma mais profunda de
gostar
de ti.
Amar-te, é escrever-te.
Amar-te é deixar que me toques
até ser teu,
até que te deites no meu corpo e
adormeças
inteira dentro de mim.
Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar. Cheiram a
ti. São para ti.
Um “bouquet” de palavras que
floriram
neste tempo de amor.
Joaquim Pessoa

