17/11/2014

Em mim...



Pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer
(…)


Al Berto

14/11/2014

Como se dobrasse os séculos...



"A velha dobrou as pernas como se dobrasse os séculos. Ela sofria doença do chão, mais e de mais se deixando nos caídos. Amparava-se em poeiras, seria para se acostumar à cova na subfície do mundo?"


Mia Couto

Quietude





Que poema de paz agora me apetece!
 Sereno,
 Transparente,
 A sugerir somente
 Um rio já cansado de correr,
 Um doce entardecer,
 Um fim de sementeira.
 Versos como cordeiros a pastar,
 Sem o meu nome embaixo, a recordar
 Os outros que cantei a vida inteira.

 Miguel Torga

12/11/2014

Os amigos...




"Os amigos não morrem: andam por aí, entram por nós dentro quando menos se espera e então tudo muda: desarrumam o passado, desarrumam o presente, instalam-se com um sorriso num canto nosso e é como se nunca tivessem partido. É como, não: nunca partiram."


António Lobo Antunes

Vaidade triste...



"Desfaz-te da vaidade triste de falar. 
Pensa, completamente silencioso, 
Até à glória de ficar silencioso, sem pensar."


Cecília Meireles

11/11/2014

Amar...



Amar a lágrima da tua saliva, flirtar contigo como se fosses a vida. Confessar-me pecado – para te levar para todo o meu lado. És a mágoa que me abdico de magoar, o vento que me demito de soprar. És a terra ausente onde me deito, a lama pungente que me escorre do peito. És a mulher que me rouba o sonho, que me espanta o milagre. És a mulher que é sonho – meu milagre.


Pedro Chagas Freitas.

Saiu para a rua...




"saiu para a rua.
embrenhou-se na espessura da noite, amou e traiu, seduziu e deixou-se seduzir, morreu um pouco todas as manhãs e nunca mais regressou ao que tinha sido."


Al Berto.